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Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!(Augosto dos Anjos)
Adriana Roitman
A intimidade intimida
pois nem sempre é bela
e raramente é falada
de peito aberto.
A intimidade é para poucos,
é para aqueles que não julgam
e que não destroem
com um olhar a fantasia.
A intimidade intima
à verdade
à dor, à culpa,
ao medo de não ser mais.
A intimidade não perdoa,
pois se intitula real,
traz conflitos, paradoxos,
sonhos esquecidos.
A intimidade se mostra
na despretensão de ser o que se é,
na crueza da alma,
na palavra perdida.
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